O “couvert” (coberto, em francês) surgiu no século XV na Europa. Nada mais era do que uma toalha usada para proteger as refeições recém-preparadas. Com o tempo, tornou-se uma taxa cobrada nos restaurantes com o objetivo de subsidiar os gastos e as perdas com seus utensílios de sala — copos, toalhas, talheres e louças. No Brasil, muitos lugares começaram a incrementar a história, multiplicando os itens oferecidos. O ritual passou a ser uma ótima forma de os clientes aquecerem o paladar antes dos pratos principais.

Não existe fórmula para definir o que compõe um bom couvert. Fora o pão, a manteiga e/ou o azeite, que têm de ser de qualidade, cada um pode oferecer sua sugestão de sabores e texturas para abrir o apetite – patês, antepastos, embutidos, o céu é o limite da criatividade de cada estabelecimento.


Brasil a Gosto (Crédito: Gastronomium)

Tirando o ambiente, o couvert é a primeira impressão que temos do restaurante, e portanto precisa ser feito com atenção, não pode ser apenas um punhado de pão murcho com manteiga congelada. Couvert que se preza merece precisa ter preço honesto, melhor ainda se for de graça, mas eu prefiro pagar por algo muito bom do que ter uma porção ruim na faixa.

Acredito que todos conheçam a “lei do couvert”, válida em SP desde o final de 2011 e que obriga o garçom a oferecê-lo antes de colocá-lo na mesa, a não ser que seja gratuito.  Para o bem de todos, a lei pegou – os restaurantes passaram a perguntar se o cliente quer, os clientes passaram a perguntar se é pago, e quanto custa,  se o valor cobrado é individual. Isso é fundamental para tornar a relação entre fornecedor e cliente 110% transparente.


Dalva e Dito (Crédito: Dilucious)

É preciso pesar os prós e contras na hora de tomar a decisão – seja pelo apetite ou pela economia – , mas não há como negar que muitas vezes vale mais a pena pular a entrada e aceitar o couvert, tamanhos são fartura e capricho dessa etapa em alguns restaurantes. Não vamos esquecer que é a única parte da refeição que você pode repetir à vontade por um preço único (quando é cobrado).

Este post mostra couverts para os quais vale muito a pena dizer “sim, por favor”:

1) Attimo: Pães artesanais feitos na casa (seis tipos), manteiga de azeite, tomate moqueado (assado e defumado), barriga de porco curada (ou mortadela italiana), pururuca e canja de galinha caipira (caldo leva massinhas feitas com miniarroz do Vale do Paraíba, peito de galinha, cenoura, salsão, vagem e cebola).

2) 348 Corrientes: Baguetes levemente tostadas na grelha com um leve toque de manteiga, chimichurri e finalizadas com ervas. Crocantes por fora, macias por dentro e quentinhas. A cobertura é ligeiramente úmida e o sabor muito fresco. 100% gratuito (yes!!!) e reposto quantas vezes você quiser.


348 Corrientes

3) Jucalemão: O viciante molho tártaro é acompanhado por uma porção de azeitonas temperadas, potinhos de manteiga e uma cestinha de pães.

4) A Figueira Rubaiyat e Baby Beef Rubaiyat: O banquete tem chouriço espanhol, pão de queijo, pão de polvilho, azeitonas preta e verde com azeite de orégano fresco e limão-siciliano, mussarella de búfala com tomate-cereja e manjericão, haddock defumado com vinagrete, tomate seco, abobrinhas grelhadas e dez tipos de pães caseiros, como nozes, integral, focaccia de alecrim e brioche.


Jucalemão

5) La Pasta e Formaggio: Pão italiano quentinho, azeite temperado, tomate seco, queijo parmesão em pedaços, caponata de berinjela e mussarela de búfala. 100% gratuito, e reposto quantas vezes você quiser.

6) Dalva e Dito: Pães caseiros de queijo, milho e campanha; pasta de feijão com bacon e azeite; compota de berinjela com jiló, maçã e alho; uma pequena porção de manteiga Aviação (delicadamente disposta dentro de uma latinha da marca); pimenta cambuci sem casca recheada de pernil com vinagrete de cebola; biscoitos de polvilho compridos; alho assado e quatro molhos de pimenta.


Rubaiyat (Crédito: Divulgação)

7) Rufino’s: Anéis de lulas à vinagrete, mariscos à provençal, salmão defumado no azeite com ovo e alcaparras, grão de bico com vinagrete de pimentão, legumes grelhados, azeitonas e sardinha escabeche, tudo isso acompanhado por uma cesta com torradas e mini-pães.

8) A Bela Sintra: Pães, patê de fígado de galinha e mais duas opções (azeitona, salmão, figo, grão-de-bico, tomate seco ou passas), manteiga, queijo fresco, bolinho de bacalhau, croquete de carne e risole de camarão.


A Bela Sintra (Crédito: Divulgação)

9) La Penisola: Azeitona, sardela, berinjela, pepino e pimentão em conserva, pão italiano, torrada de alho, bolinho de mandioca recheado com quatro queijos, carpaccio e casquinha de siri.

10) Vicolo Nostro: Cesta de pães quentinhos e pão de queijo acompanhados de azeite de oliva com aceto balsâmico, manteiga, sardela, patê de ricota e azeitonas pretas.

11) Le Manjue Bistrô: Sopinha do dia (pode ser de cenoura con anis estrelado, batata doce com pera, mandioquinha com leite de coco, abóbora com tangerina, manjericão, gengibre e camarão, etc.), água na jarra, pães naan (típico da India) e matzá (pão sem fermento) caseiros, crudités, três antepastos da casa e manteiga de limão siciliano com sementes de mostarda Dijón.


Le Manjue (Crédito: Divulgação)

12) Galeto’s: Seleção de pães (italiano bolinha, minis pães de queijo e crissinis), patê de frango, manteiga e vinagrete.

13) Clos de Tapas: Dividida em duas partes, tem pães artesanais (leite, azeitona, betteraba), manteiga de castanha do pará e sementes de amburana e conserva de legumes caseira. O segundo round muda dependendo do dia, pode ser croqueta de jamón e gazpacho (sopa fria de tomate e especiarias), massas de pastel com queijo cremoso e pedacinhos de calabresa, ou biscoito de arroz acompanhado de duas cumbucas de feijão e farofa, chamado “PF”.


Clos de Tapas (Créditos: Do Pão ao Caviar)

14) Brasil a Gosto: Pães, chips de raízes (mandioca, mandioquinha e batata-doce), biscoito de polvilho, manteiga normal, manteiga artesanal com alho e castanha-do-pará e queijo cremoso com pesto de cheiro-verde.

15) MezzoGiorno: Saladinha (alface, cenoura e minimilho em conserva) e uma cesta de pães italianos feitos no forno com azeite, orégano e queijo parmesão derretido. 100% gratuito e reposto quantas vezes você quiser.


MezzoGiorno

Para saber mais – cardápios, endereços e horários de funcionamento:

Attimo: http://www.attimorestaurante.com.br/
348 Corrientes: http://www.restaurante348.com.br/
Jucalemão: http://www.jucalemao.com.br/
Rubaiyat: http://www.rubaiyat.com.br/
La Pasta e Formaggio: http://lapastaeformaggio.com.br/
Dalva e Dito: http://www.dalvaedito.com.br/
Rufino’s: http://www.rufinositaim.com.br/ e http://www.rufinosmorumbi.com.br/
A Bela Sintra: http://www.abelasintra.com.br/
Vicolo Nostro: http://vicolonostro.com.br/
Le Manjue Bistrô: http://www.lemanjuebistro.com.br/
Galeto’s: http://www.galetos.com.br/
Clos de Tapas: http://www.closdetapas.com.br/
Brasil a Gosto: http://www.brasilagosto.com.br/
MezzoGiorno:  http://www.mezzogiorno.com.br/

La Penisola (o único que não possui site):
Endereço: Rua Santo Antônio, 870 – Bela Vista
Telefone: +55 (11) 3256 2866
Horário de funcionamento: Segunda à quinta das 12hs às 15hs e 18hs à meia-noite (sexta até à 1 da manhã), sábado das 12hs às 16hs e 18hs à 1 da manhã, domingo das 12hs à meia-noite.

 

Fonte: O Viajante Comilão